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Nancy Vieira

Nancy Vieira elege a mais tradicional sonoridade da música de Cabo Verde como base do seu caminho musical e reúne em "No Amá" o recente disco, todos os fatores capazes de delinear com sucesso o percurso desse caminho. Da melancolia e saudade da morna à alegria da coladeira que caracterizam o povo cabo-verdiano, a voz doce e melodiosa de Nancy surge em perfeita simbiose, como que em homenagem à forma de tocar natural e típica das serenatas e tocatinas de outros tempos.

"No Amá", um retrato fiel da tradição musical de Cabo Verde. Mergulha nas raízes da morna, cruzando os sons do arquipélago, com as influências que diretamente lhes estão ligadas.

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NANCY VIEIRA
© Joe Wuerfel / Lusafrica

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NANCY VIEIRA - EPK "No Amá"

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  • Nancy Vieira

_BIO


NANCY VIEIRA nasceu em 1975 em Bissau, onde os seus pais se tinham juntado ao líder das independências de Cabo Verde e da Guiné Bissau, Amílcar Cabral, assassinado em 1973. Cabo Verde tem a independência em 1975 e quatro meses após o nascimento de Nancy, a família instala-se na cidade da Praia, na Ilha de Santiago, capital de Cabo Verde. Nancy, como que filha da liberdade vai construir uma forte identidade baseada numa epopeia política e artística: seu pai, músico amador, tocador de guitarra e de violino, foi também ministro dos transportes e comunicações do novo governo de então. Dez anos mais tarde, muda-se, com a família, para o Mindelo, porto activo e metrópole da Ilha de São Vicente, onde ocupa o cargo de Ministro Adjunto. Nancy tinha 14 anos quando o pai foi nomeado Embaixador de Cabo Verde em Portugal, onde ficou a residir e estudou Gestão de Empresas e Sociologia....

O seu primeiro disco "Nos Raça" surge como prémio de um concurso em que participou inesperadamente, quando apenas acompanhava um amigo. Após ter sido mãe Nancy faz uma pausa de 8 anos e em 2004 edita "Segred". Em 2007 com "Lus",o terceiro disco onde a doçura e equilíbrio da sua voz já eram alvo de atenção por parte da crítica e público.

Por todas as evidentes qualidades vocais e interpretativas, e contagiante personalidade, Nancy Vieira tem sido convidada para cantar com grandes nomes da música portuguesa: Rui Veloso, Camané, Júlio Pereira, Ala dos Namorados, entre outros.

Mindelo é a terra de sua mãe, das misturas e a de Cesária Évora (1941-2011). Herculano Vieira, pai de Nancy, foi capitão da marinha mercante e acompanhou Cesária, na sua juventude, nas tocatinas típicas da noite do Mindelo, "antes da luta".

Dificilmente se pode falar de filiação com Cesária, como dos repertórios ou de encontros musicais. A interpretação é distinta. Certa, límpida, a voz de Nancy distingue-se do calor húmido da voz da "Diva dos pés descalços". A personalidade, as origens sociais, os percursos de vida, têm pouco em comum. O que as une são as afinidades secretas dos cabo-verdianos com a sua música, fronteira do Ocidente e de África, música de viagens transoceânicas e de criolidade. Como Cesária Évora, Nancy Vieira é uma artista de repertório construído. Interpreta clássicos como B.Leza, Amândio Cabral, Manuel de Novas mas explora também o território poético de Eugénio Tavares, não elegido por Cesaria Evora.

"No Amá", o seu recente disco, reflecte a sua própria identidade e mostra o lado mais tradicional da música cabo-verdiana. Mergulha nas raízes da Morna, cruzando os sons do arquipélago, com as influências que diretamente lhes estão ligadas. São as evidências históricas de um território que nasceu do fundo do mar, num ponto estratégico, com uma imensa fronteira atlântica.


_DISCOGRAPHY

  • No Amá
  • Lus
2011 - No Amá Lusafrica

2009 - Lus
“A princesa da voz de oiro”, como a chamou Paulino Vieira, lança em 2007 o seu terceiro álbum, Lus. Neste disco, Nancy Vieira aposta no cruzamento das sonoridades cabo-verdianas, como a morna, a coladeira, o funaná e o batuque, com sons de outras paragens, nomeadamente do Brasil (samba e bossa nova, já adoptados como géneros musicais em Cabo Verde) e da América Latina - Peru (landón) e Cuba (danzón e son). Trata-se, enfim, de um encontro entre as raízes cabo-verdianas e uma universalidade musical.

Sendo um disco com uma sonoridade totalmente acústica, o novo álbum de Nancy Vieira realça não só a sua inegável qualidade vocal, mas também a qualidade musical do reportório seleccionado. Os arranjos, na sua maioria do também produtor musical Jorge Cervantes, tendem para uma assumida simplicidade.

Ao lado de composições de alguns dos melhores autores cabo-verdianos da actualidade, tais como Teófilo Chantre, Jon Luz, Princezito e Vadú, encontramos um tema da cantora, que divulga pela primeira vez a sua faceta de autora/compositora em “Vivê Sabin”. Lus conta com as participações especiais de Tito Paris, Bino Branco (Ferro Gaita), Sergio Valdeos, Juan “Cotito” Medrano, Batucadeiras Voz d’África, e do Quinteto Diapason (Cuba).

Lus é um disco de tradição e de modernidade, de coragem e de amor, de nostalgia e de alegria, de esperança e de festa, de destino e de saudade, de paz e de luta, de uma cabo-verdiana no século XXI.

 
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