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DELFINS
DELFINS

INSTINTO OU DESTINO? Cada um terá a sua explicação e a dúvida nunca fez mal a ninguém: o que terá levado os Delfins, fundados há 23 anos e com o primeiro álbum gravado há 20, a (res)guardarem o seu nome e, agora, chegados a 2007 a usarem-no como título de um disco? Uma resposta possível, talvez a mais verdadeira de todas, é esta: nunca, como até aqui, o grupo de Cascais tinha alcançado uma linguagem tão simples e tão eficaz, posta ao serviço de uma dúzia de canções que o público, conquistado ao longo do tempo, reconquistado a cada passo em frente, não deixará de reconhecer. Com a maturidade, voltou a energia. Sem as “dores de crescimento”, estão de regresso as canções que seduzem, que empolgam, que apetece acompanhar a cada verso. Como sempre, dirão uns. Como nunca, hão-de descobrir e advogar outros.

NO UNIVERSO dos Delfins, “Viver A Valer” é o título de uma das canções novas, aquela que o grupo escolheu para introdução ao capítulo que, a partir de agora, se escreve por inteiro. Mas, pegando no espírito do título, aí está algo que os Delfins praticam, a tempo inteiro, desde Emuito cedo. Em 81 os UHF (“À Flor da Pele”) e os Táxi (“Táxi”) estreavam-se em álbum, Adelaide Ferreira cantava “Baby Suicida”, o Grupo de Baile cheirava o êxito de “Patchouly”, os Xutos & Pontapés chegavam ao disco com “Sémen”, os Salada de Frutas davam corda ao “Robot”, os Roquivários jogavam no “Totobola”, os Jáfumega atravessavam a “Ribeira”. No final do ano, os Heróis do Mar assumiam-se como “tropa de choque” para o “pop” nacional. Mais perto, os Street Kids faziam ouvir “Super Wen”. Nos anos gloriosos em que o “punk” e a “new-wave” faziam sonhar com a mudança, três rapazes de Cascais – Fernando Cunha, João Carlos e Silvestre – também recolhiam à garagem para ver o que dava.

DIZ A LENDA que foram os decibéis ali acumulados que atraíram um quarto moço, chamado Miguel Angelo. Talvez o facto de ser irmão de João Carlos tenha estado na base de uma escala que se transformou num exame: sem concorrência, o futuro cantor da banda escolheu, e bem, “Amor”, dos Heróis do Mar. Estava fechado o primeiro quarteto que esteve na génese dos Delfins: Miguel Angelo, Fernando Cunha (guitarras), Silvestre (teclas) e João Carlos. A primeira presença “feminina” é a da caixa de ritmos. E há, por essa altura, um outro guitarrista – Carlos Rouco – que chega e parte sem deixar impressões digitais. Chegaram a escolher um nome rústico, Fanfarra, e a praticar o rock étnico-épico que caracterizava bandas como os Skids e os Big Country. Depois, para bem de todos, ganharam juízo e alma própria.

GANHAM TAMBÉM um primeiro baterista: Pedro Molkov. E, como é costume nestas fases, usam – e abusam – da família. O primeiro concerto serve de “apoio” a um casamento: a noiva é irmã de Fernando Cunha. Sem coincidências, essa estreia faz-se junto ao mar do Guincho, em Cascais, um cenário que hão-de cantar (“Baía de Cascais”) e sublimar, por interpostas personagens (“Ser Maior – Uma História Natural”), mais adiante. 1983 marca ainda o primeiro encontro com Pedro Ayres Magalhães que, como todos, ignora a circunstância de, anos depois, estar integrado naquele grupo que, para já, desafia a trabalhar. Os quatro aceitam o desafio, repetindo canções originais num bar habituado ao som de “covers” antigos: o Casablanca, vizinho do velhinho – e já falecido – Pavilhão do Dramático.

AS CANÇÕES NASCEM e Pedro Ayres regressa para o teste do “sim ou sopas”. Um dos originais chama-se “Letras”, uma das versões adaptadas tem quase dúzia e meia de anos e levou Eduardo Nascimento a vencer o Festival da RTP, “O Vento Mudou”. Dando início à vida de artista, o grupo viaja agora dos ensaios para os concertos, destes para as sessões fotográficas, daqui para o estúdio. O motivo é o mais desejado: vai ser gravado o primeiro single do grupo, uma das primeiras apostas de uma aventura editorial em que Pedro Ayres Magalhães é um dos elementos nucleares, juntamente com Miguel Esteves Cardoso, Ricardo Camacho, Francisco Sande e Castro, Pedro Bidarra e Francisco Vasconcelos. A Fundação Atlântica, a primeira editora de espírito independente, estreia Sétima Legião, Clube Naval, Anamar e Luís Madureira traz os Xutos de volta aos discos, põe Vini Reilly (Durutti Column) a gravar em Paço d’Arcos o álbum “Amigos em Portugal” (relançado em CD há um par de anos).

FALTAVA UM NOME à banda. Mais uma vez, a família foi providencial: António Cunha, irmão de Fernando, viria não só a ocupar de agente, empresário e financiador da banda como ainda se alcandorou ao lugar de padrinho: foi ele quem os baptizou com Delfins. Em boa hora. No final de 1984, o nome já era familiar a muita gente: “O Vento Mudou” foi um dos grandes êxitos de rádio desse ano, em que os Delfins cumprem outro sonho – chegam ao palco do Rock Rendez-Vous. No ano seguinte, tentam o impossível: minar por dentro, com o som “pop” linear de “A Casa da Praia”, o envelhecido Festival da RTP. A canção, que se torna no segundo e último single para a Fundação Atlântica, agrada aos que já perceberam os objectivos do grupo. Também obtém a unanimidade junto dos jurados – o último lugar. Que, visto à distância e até por comparação com o mais que se ouviu, acaba por ter o sabor de uma vitória: se não os podes vencer, ao menos não lhes cedas…

A EXIGÊNCIA de mais tempo dedicado aos Delfins, de dedicação a uma banda que não queria seguir o exemplo daquelas que ao seu redor – numa cena de crise gerada pelo excesso de propostas e pela ausência de critério para se entrar em estúdio e sair com um disco gravado – iam nascendo e morrendo cada vez mais depressa, causam as primeiras baixas no elenco. João Carlos sai rumo ao Serviço Militar Obrigatório e é rendido por Carlos Brito de Sá que, por sua vez, cederá o posto de baixista a Rui Fadigas. Pedro Molkov é rendido por Jorge Quadros. O grupo diz ter ganho a “consistência” há muito desejada. Entra em cena, o segundo “herói” (do Mar…) nesta história de coragem: Carlos Maria Trindade rende Pedro Ayres Magalhães como produtor de uma maqueta que inclui dois temas que acabarão por ser marcantes para o curso da banda, “Baía de Cascais” ou “Estrelas do Rock’n’Roll”, um que “cairá” antes de chegar ao álbum, “Peço Desculpa”, outro que (mais uma vez…) será simbolicamente profético para os Delfins: “O Caminho da Felicidade”.

A PRIMEIRA ODISSEIA dos Delfins tem lugar logo a seguir: se a chegada ao disco de estreia foi facilitada por um músico (Pedro Ayres), a via para o primeiro álbum parece estreitar-se às mãos das editoras, que recusam a maqueta. É o momento da grande decisão e António Cunha revela-se novamente decisivo: é ele quem avança com o dinheiro necessário para gravar o disco. Com a participação da cantora Marité (hoje conhecida como Maria Léon), juntam-se canções como “Agitação”, “Planeta Terra” e “Libertação”. O disco é apresentado no Coconuts (em Cascais, onde havia de ser?) e convence não só os anónimos como alguns convidados especiais. No encore, os Delfins evocam António Variações – que serão os primeiros a regravar, desde a sua morte – e tocam “Canção do Engate”. Resultado: com uma ida a estúdio para registar o hino de António e inclui-lo no álbum, o que seria uma edição de autor passou a ter a chancela da EMI-Valentim de Carvalho. O álbum chama-se “Libertação” (1987) e rende a primeira digressão nacional aos Delfins.

EM EQUIPA QUE GANHA, não se mexe. Carlos Maria Trindade volta a produzir os Delfins em “U Outro Lado Existe” (1988), que continua a render canções que ainda hoje não perdem força e capacidade de combate: “Bandeira” (utilizada numa campanha contra o Serviço Militar Obrigatório, uma das causas dos Delfins), “Aquele Inverno” (que rompe o silêncio das novas gerações sobre a Guerra do Ultramar), “1 Lugar Ao Sol” (que continua a ter lugar cativo nas selecções radiofónicas), “1 Só Céu”, “Sombra de Uma Flor”. Marité é rendida por Nicole Eitner, Silvestre deixa o lugar a Nuno Canavarro (que vem dos antecessores e vizinhos Street Kids). Leonel Cardoso, saxofonista, é músico convidado para alguns espectáculos e o mesmo acontecerá com o violinista David D.. Depois, é Nicole quem ruma à Alemanha, para estudar. E Nuno Canavarro deixa as teclas nas mãos de Luis Sampaio, “pescado” depois da extinção dos Radar Kafadi.

A POPULARIDADE acaba por não facilitar nada: a editora não aprova as maquetas, onde se incluem “Marcha dos Desalinhados”, “Nasce Selvagem” ou “No Meu Quarto”. A rescisão de contrato é a consequência lógica, voltando a colocar-se a hipótese de edição de autor. Volta a aparecer no horizonte a estrelinha de quem teima e trabalha: Rui Ferreira procura um nome forte para inaugurar o catálogo nacional da multinacional BMG que, entretanto, se autonomizou e fixou escritórios por cá. Em boa hora os Delfins são os eleitos: “Desalinhados” (1990) confirma o crescimento da banda e, além dos temas citados, merecem referência “Se Eu Pudesse Um Dia…”, “À Beira do Fim”, “Estrada do Guincho” (mais um tema “local”), “Cartas de Portugal” (original de Pedro Ayres Magalhães) e a versão de “Song For Europe”, dos Roxy Music. Num ano em cheio, a banda enfrenta e empolga um dos seus maiores auditórios de sempre, na primeira parte de Tina Turner. Dora e Sandra Fidalgo já estão nos coros.

A RESPOSTA da antiga editora a este crescimento exponencial é célere: edita a colectânea “1 Só Céu” (1991), que sumariza os êxitos dos dois primeiros álbuns e junta ainda algumas versões antes publicadas em maxi. Rui Fadigas e Jorge Quadros deixam os Delfins, rumo a um projecto que nunca se concretizará – um trio com João Cabeleira, dos Xutos & Pontapés. Os substitutos são dois ilustres conhecidos: no baixo, Pedro Ayres Magalhães (ex-Faíscas, ex-Tantra, ex-Corpo Diplomático, ex-Heróis do Mar, já mais do que envolvido nos Madredeus e a caminho de outros feitos); na bateria, Emanuel Ramalho (ex-Street Kids, ex-Rádio Macau).

RESISTÊNCIA – é o nome de um projecto em que aparecem envolvidos músicos de alguns grupos nacionais de primeira linha, como os Xutos & Pontapés, os Madredeus, os Santos & Pecadores, os Trovante. E, claro, os Delfins, que fornecem a sua dupla mais criativa: Miguel Angelo e Fernando Cunha. Dois discos de estúdio (“Palavras Ao Vento” e “Mano A Mano”) mais um ao vivo completam um ciclo de vida tão rápido como intenso, o que deixa pouco tempo para o “primeiro amor”. Que não perde por esperar: não só se constroem os seus estúdios 1 Só Céu, em Cascais, como começa a preparar-se a mais ambiciosa das obras dos Delfins até à data, um disco conceptual que virá a chamar-se “Ser Maior – Uma História Natural” (1993). Uma das novidades é a presença de Pedro Ayres Magalhães entre o núcleo duro de composição e autoria. Pelo caminho, Pedro já passara para as guitarras acústicas, depois do regresso de Rui Fadigas. Nesse ano, além da primeira edição do Portugal Ao Vivo (40 mil pessoas), os Delfins tocam no Zénith parisiense e obtêm a consagração do álbum em três noites sonoras e cénicas em espectáculos inesquecíveis no lisboeta Teatro da Trindade.

OUTRO PALCO, o de Teatro, é a grande aventura que se segue: os Delfins criam a banda sonora de “Breve Sumário da História de Deus” (1994), peça de Gil Vicente encenada por Carlos Avilez, para o Teatro Experimental de Cascais. Duas particularidades: não só o grupo toca as canções todas as noites ao vivo como há quem seja chamado a um papel teatral: Dora Fidalgo é Eva e Fernando Cunha é Adão, Sandra Fidalgo é a Morte, a Miguel Angelo cabe o papel de Jesus Cristo. É crucificado por 33 vezes (a idade com que Cristo morreu…) mas “ressuscita” para cantar “Soltem Os Prisioneiros”. Os Delfins marcam ainda presença em dois tributos a músicos portugueses: em “Filhos da Madrugada”, com releituras da obra de José Afonso, surpreendem com uma versão de “Vejam Bem” com Rui da Silva, na altura Dr.J; em “As Canções de António”, que tem por objecto o legado de António Variações, gravam “Sempre Ausente”.

A SAGA TELEVISIVA de Miguel Angelo começa ainda em 1994. É na RTP que ele se estreia como jurado, no concurso “Selecção Nacional”. Voltará a desempenhar um papel semelhante, já na SIC, numa das temporadas de “Chuva de Estrelas”. No mesmo canal, será apresentador e dinamizador de “Cantigas da Rua”. Depois, fechará – até ver… – o ciclo, regressando à RTP para apresentar “Miguel Angelo… Ao Vivo”, por onde passam muitos grupos e cantores nacionais, em actuações… sem “play back”. Além de uma viagem a Macau e do Portugal Ao Vivo II, 1995 é o ano em que os Delfins confirmam estar, de uma vez por todas, n’“O Caminho da Felicidade”. O tal título – premonitório – de uma das canções de “Libertação” é aproveitado para nova função: servir de genérico a uma colectânea de êxitos a que o grupo acrescenta dois inéditos, “A Nossa Vez” e “Sou Como Um Rio”. O resultado, não sendo inesperado, não podia ser mais categórico: 6 Discos de Platina e mais de 250 mil cópias vendidas.

NEM POR ISSO HÁ DESCANSO para os triunfadores: não há cidade, vila ou festival que não requisite um concerto dos Delfins, que haverão de encerrar “em casa” uma digressão monumental. Na Baía de Cascais, com transmissão da SIC na noite nobre do “reveillon”. A fasquia subiu e o grupo sabe-o perfeitamente: além de não virar a cara ao desafio do realizador Luis Filipe Rocha, assinando a banda sonora do filme “Adeus Pai”, decide “sair da casca” e dividir a gravação do álbum seguinte pelos países onde aportasse a “tournée” internacional. É o que acontece em Inglaterra, na Suíça, na África do Sul e, sobretudo, no Brasil. “Saber a~Mar” (1996) vai buscar o título a uma canção de Herbert Vianna, com os Páralamas do Sucesso. O disco conta com a presença de músicos sul-africanos e dos brasileiros Roberto Frejat (Barão Vermelho), Paulinho Moska e Gabriel, O Pensador. Nota-se ainda a presença de mais dois originais de Pedro Ayres Magalhães, um dos quais é “Haja O Que Houver”, só mais tarde registado pelos Madredeus. Nesta altura os Discos de Platina são quatro, mas rapidamente chegam novamente a seis…

ESTÃO ESGOTADAS as três noites do Coliseu lisboeta que, com os brasileiros presentes, servem de arranque à nova digressão. Em palco, um reforço ocasional, o guitarrista Rogério Correia, e um percussionista chamado do Brasil, Castora. O final do percurso – que passa pelos países antes visitados, mais França, Alemanha, Luxemburgo e Cabo Verde – é no Coliseu do Porto, sinais para a partida de Dora Fidalgo, em nome da maternidade. O grupo opta por parar em alta, concluindo que se impõe uma paragem para outros desafios. Ainda assim, lança “Azul” (1998), uma colectânea em castelhano, arrasta mais de 30 mil pessoas ao seu concerto na véspera do encerramento da Expo, participa na colectânea “Red Hot & Lisbon”, com uma mistura de “Canção do Engate”, da responsabilidade de Tó Ricciardi, estreia-se a tocar em Moçambique. Miguel Angelo e Fernando Cunha ainda descobrem tempo e inspiração para as respectivas aventuras a solo, respectivamente “Timidez” (que inclui vários originais e versões de temas da Legião Urbana, dos Divine Comedy e dos Smiths, bem como uma canção de Miguel para o filme “Zona J”, de Leonel Vieira) e “Invisível”.

NO REGRESSO, assinala-se mais uma partida: a do baterista Emanuel Ramalho. Fica a porta aberta para… Jorge Quadros, que não era exactamente um desconhecido. Nicole Eitner também voltou (por um ano, abalando em 2001, tal como Castora). A preparação do novo disco implica um “retiro” em Cinfães do Douro – nem sempre é fácil regressar aos hábitos de grupo… Mas o resultado de “Del7ins” (2000) é categórico: inclui “Hoje”, “A Tempestade” e ainda a mais discutida canção de toda a carreira dos Delfins, “Sharon 7tone”. Avesso ao politicamente correcto, o grupo não vira a cara a um repto que nem todos julgam “recomendável”: aceita gravar o tema de um programa de televisão chamado “Big Brother”… É assim que nasceu “Vive!” que, para “cúmulo”, será cantada e tocada numa grua à vista da “casa mais famosa de Portugal”…

OS DESAFIOS sucedem-se: uma digressão chamada “As Outras Canções” visa fazer ouvir os temas que fintaram os singles e o êxito, três temas (“Podes Perguntar-me”, “A Vida É Bela” e “Vais e Vens”) para uma telenovela da TVI (“Tudo Por Amor”), a emocionada visita a Timor para a festa da Independência – nada mais justo, já que oito anos antes, Miguel Angelo assumira a organização de um espectáculo chamado Timor Livre, com actuações, testemunhos e depoimentos gravados. “Babilónia” (2002) marca a etapa seguinte e mostra algo que não acontecia há 15 anos, desde “Libertação” e “Canção do Engate”: a canção de lançamento é uma versão. Neste caso, o tema-título do álbum é uma adaptação do original de David Gray.

A DIGRESSÃO que ganha o nome de “Lótus Rádio” abre com duas noites especiais no Coliseu lisboeta: na primeira, há bandas novas reveladas em maqueta e video; na segunda, os Delfins cruzam as suas canções com temas de José Afonso, António Variações ou Eduardo Nascimento. Neste celebração, são vários e distintos os convidados: Jorge Palma, Ana Deus (ex-Ban, ex-Três Tristes Tigres), Pedro Oliveira (Sétima Legião e, agora, Cindy Kat), Flak (Rádio Macau), e Rui Pregal da Cunha (o cantor dos Heróis do Mar). Há outra novela da TVI, “Saber Amar” cujo título deriva directamente da canção que os Delfins foram beber aos Páralamas do Sucesso. A edição de “O Caminho da Felicidade II” (2003), com as inéditas “Ouve” e “O Teu Nome” traz mais uma notícia: a da rescisão do grupo com a BMG. Logo a seguir, na Som Livre, é editado o DVD “Baía de Cascais 96 – O Caminho da Felicidade Ao Vivo”. À saída, já ultrapassou as vendas necessárias para chegar ao galardão de Ouro.

O TEMPO PASSOU A CORRER, mas nem por isso os Delfins deixam de lançar a iniciativa CO20 (leia-se Comemoração Oficial dos 20 Anos de Carreira). Passam pela “Operação Triunfo”, realizam espectáculos que visam recuperar canções esquecidas e arranjos originais, entram na festa do Euro 2004 – a digressão “O Caminho da Felicidade II” percorre as cidades em dias de jogo e é um êxito. Dão e registam no Lótus bar, clube de música ao vivo que abrem em Cascais, espectáculos temáticos dedicados unicamente a cada disco da sua carreira. Radicalmente diferente na metodologia mas semelhante no impacto é a primeira “tournée” acústica da banda desde sempre: chama-se “De Corpo e Alma”, é pensada e cumprida para 20 localidades, estando reservada exclusivamente a cine-teatros e auditórios. Esses concertos dão origem a outra estreia: um CD de palco – “De Corpo e Alma – Ao Vivo Acústico” (2005) – em que, além das versões de êxitos de todas as fases do grupo (“Baía de Cascais”, “1 Lugar Ao Sol”, “A Queda de Um Anjo”, “A Cor Azul”, “Amanhã”), se concretiza a primeira versão de um tema chamado “Fiat Lux”.

ISTO ANDA TUDO LIGADO: “Fiat Lux” é recuperada em “Delfins”, o álbum que começou a apresentar-se com “Viver A Valer” e que vai trazer certezas gloriosas para o lugar das altas expectativas. Tudo sob a forma de um total de 12 canções: Miguel Angelo, Fernando Cunha, Rui Fadigas, Luís Sampaio e Jorge Quadros gravaram-nas em Inglaterra, em Outubro do ano passado, com produção e misturas de Chris Tsangarides, um veterano que – entre muitos outros registos – já trabalhou com Depeche Mode, Japan, Human League, Killing Joke, Thin Lizzy, Tom Jones e Gary Moore. Já ficou o aviso: estão plenamente recarregadas as baterias (e as guitarras, os baixos, os teclados…) que levaram o grupo a fixar-se, há muito tempo, na primeira linha da música de produção nacional. Os Delfins estão preparados para tudo. A nós, só nos resta mesmo ganhar balanço para o que aí vem: depois de um “Momento de Reflexão”, em vez de ficar “À Espera de Godot” ou de procurar outra vez a “História Antiga”, mais vale saber preparar a viagem “Da Terra Ao Céu” e, ouvindo a “Rádio Mundo”, sabendo que é indispensável estar “Disponível Para Amar” e teimando em “Viver A Valer”, vamos acabar “Para Lá do Universo”. Nem é preciso “Cuidado Com O Sol”. Neste caso, “Fiat Lux”. Que é como quem diz “Faça-se Luz”: como ficou provado, os Delfins nunca foram gente de dormir à sombra.

A&E
Um grande concerto de Despedida em MACAU!
Delfins actuaram em Macau perante uma sala cheia de fãs!A&E

Com o último espectáculo da carreira agendado para o último dia do ano em Cascais, os Delfins despediram-se de Macau a 26 de Outubro com o concerto «25 anos, 25 Êxitos, 1 Abraço», na Fortaleza do Monte.

Delfins actuara perante uma sala cheia onde não faltaram os fãs que entoaram em coro, os êxitos de carreira da banda de Cascais: Sou como um rio, Aquele Inverno, Baía de Cascais, entre muitos outros êxitos. Um alinhamento de luxo para um espectáculo inesquecível!

A 23ª edição do Festival Internacional de Música de Macau apresentou para além de Delfins, Buraka Som Sistema e varias propostas musicais do mundo inteiro! De acordo com o Instituto Cultural, tratou-se de um cartaz «vasto e rico que vai da ópera à música sinfónica, coral, música de câmara, contemporânea, folk, pop, música de fusão e jazz, procurando oferecer um encontro dinâmico entre Oriente e Ocidente».

[28 Outubro 2009] Fonte: MAGIC MUSIC
   
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